Parábola do mau rico

Em nosso evangelho de ontem, nos deparamos com esta parábola, a qual reproduzo mais abaixo: A parábola do mau rico.

Geralmente, ao ouvirmos a palavra riqueza, nos recordamos das posses materiais e assim o é descrito nesta parábola. Ela está inserida no capitulo XVI de O Evangelho Segundo o Espiritismo, que nos fala sobre servir a Deus e a Mamon onde, na Antiguidade, era  este termo de origem aramaica, o significado de dinheiro e riqueza. Jesus, no Evangelho, afirmou que não era possível servir simultaneamente a Deus e a Mamon (Lucas 16:13).

Diante desta passagem, como tantas outras, eis que nossa mente e interpretação se fixaram em determinada visão e, para muitos, servir ao Mestre e ser humilde é despojar-se de seus bens terrenos. Alguns despojam-se de seus bens e afirmam categoricamente que poderiam viver como mendigos às ruas, pois estariam com Jesus no coração ou seriam mais felizes do que o são atualmente.

Isentando-nos do julgamento e das escolhas que cada um diz estar apto a fazer, a grande verdade é que não podemos pensar apenas em posses materiais. Nossa mente deve alargar-se e observar as inúmeras riquezas que nos cercam. Particularmente, ao pronunciar a palavra riqueza, vem à minha mente o sorriso de meu filho, carinhosamente assim chamado. E é isso que precisamos entender.

Nossas riquezas são inúmeras e não podemos desfrutá-las sem querer seguir a Deus. Sim, é justamente neste ponto que nos perdemos. Quando avarentos e egoístas, acreditamos que seja somente uma coisa ou outra e não estamos corretos. Nos deixamos envolver por sentimentos torpes e sequer reconhecemos a presença divina a se manifestar nestas riquezas. Nestes momentos, esquecemo-nos de fazer nossa parte e apenas pensamos em desfrutar. Estamos servindo a Mamon.

Talvez o que nos chega não sejam riquezas amealhadas com o suor de nossa fronte, mas se nos chegam às mãos, não devemos nos sentir menores ou incapazes, pelo contrário, devemos perceber que Deus continua a nos ofertar 'créditos'  e 'valores adiantados', cabendo-nos bem geri-los.

Se o alimento nos chega, se o teto nos acolhe, se a roupa nos envolve sem que para isso tenhamos desprendido o menor esforço, crucial faz-se neste momento, que reavaliemos nossas posturas.

Em momento algum nos é pedido que estejamos maltrapilhos para demonstrar a humildade ou a resignação ante Deus, pelo contrário, isso haverá de transparecer em nossas palavras, em nossos gestos e posturas. Emanaremos aquilo que sentirmos e formos, não precisaremos de máscaras ou representações.  Teremos em nós a marca da felicidade, da paz, da resignação e das conquistas, não necessariamente no campo material.  Estaremos maltrapilhos da cólera, da inveja, do ciúme, da avareza, da vingança.

Saberemos reconhecer a riqueza de um sorriso de criança, de seus 'bracinhos' ao redor de nosso pescoço, de uma flor que lentamente desabrocha, de pássaros que cantam ao amanhecer, do céu que se abre para surgir o sol. E não apenas reconheceremos, mas como também auxiliaremos para que tudo isso se perpetue e tenha os reais valores da simplicidade.

Deus nos dá em fartura e abundância. Uma palavra amiga, um abraço fraterno, um sorriso sincero, o apoio em nossas decisões, o incentivo para que cresçamos, a chance de recomeçarmos e refazermos nossos caminhos a qualquer instante, conselhos inesperados, caminhos apontados.

Ele jamais nos disse ou ensinou que tudo está perdido e que não temos mais conserto. Ele jamais nos disse: agora é tarde. Muito pelo contrário!! Em variadas passagens evangélicas, em diversos relatos dos espíritos que já se encontram além-túmulo e no nosso próprio dia-a-dia, vemos a todos os instantes que é possível refazer nossos passos, refazer nossa vida e aproveitar das benditas oportunidades que nos são ofertadas.

Esqueçamos o fogo eterno, esqueçamos as penas infindáveis! Mesmo aqueles que persistem conscientemente no erro e na maldade, terão o despertar da consciência. Quantos ao nosso redor já não são exemplos de espíritos endurecidos que se arrependeram de seus atos e recomeçaram sua jornada? É claro que tudo está amealhado em nosso ser. Plantamos, vamos colher, mas não de maneira punitiva ou vingativa, mas apenas como consequência de nossos atos.

Se nos decidirmos a seguir ao Mestre hoje, com certeza teremos menos sofrimentos do que se nos decidirmos por fazê-lo amanhã. A escolha é nossa. Deus, numa maneira alegórica de dizer, nos espera de braços abertos.

Assim que nos libertarmos do egoísmo e do orgulho que nos toldam a visão, veremos Seus braços estendidos. Veremos Seu amor a nos acolher e a estimular. Virão provações, sem sombra de dúvidas, mas nosso ser não estará se afundando, mas sim se elevando.

Sabe aquela criatura próxima a ti que sofre, padece e, ainda assim, possui um sorriso nos lábios? É ela o exemplo a seguir. É ela a criatura que aceitou o abraço divino e está refazendo seus passos. É ela que está sendo amparada por desconhecidos, por espíritos amigos, por entidades que sequer vislumbramos, mas que se regozijam diante da determinação desta criatura em seguir ao Mestre e reencontrar-se com o Pai.

Nada de fogo eterno. Nada de sofrimento infindável. A decisão é tua e pode ser tomada agora mesmo. Faça e, como nos dizem os grandes mestres, o universo conspirará a teu favor, porque quem é com Deus não está sozinho.

Que a paz do Mestre nos envolva.

Parábola do Mau Rico
Havia um homem rico, que se vestia de púrpura e de holanda, e que todos os dias se banqueteava esplendidamente. Havia também um pobre mendigo, por nome Lázaro, todo coberto de chagas, que estava deitado à sua porta, e que desejava fartar-se das migalhas que caíam da mesa do rico, mas ninguém lhas dava; e os cães vinham lamber-lhe as úlceras. Ora, sucedeu morrer este mendigo, que foi levado pelos anjos ao seio de Abrão. E morreu também o rico, e foi sepultado no inferno. E quando ele estava nos tormentos, levantando os olhos, viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio. E gritando ele, disse: Pai Abraão, compadece-te de mim, e manda cá Lázaro, para que molhe em água a ponta do seu dedo, a fim de me refrescar a língua, pois sou atormentado nesta chama. E Abraão lhe respondeu: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e de que Lázaro não teve senão males; por isso está ele agora consolado, e tu em tormentos. E demais, que entre vós está firmado um grande abismo, de maneira que os que querem passar daqui para vós não podem, nem os de lá passar para cá. E disse o rico: Pois eu te rogo, Pai, que o mandes à casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos, para que lhes dê testemunho, e não suceda venham também eles parar a neste lugar de tormentos. E Abraão lhe disse: Eles lá têm Moisés e os profetas; ouçam-nos. Disse pois o rico: Não, pai Abraão, mas se for a eles algum dos mortos, hão de fazer penitência. Abraão, porém, lhe respondeu: Se eles não dão ouvidos a Moisés e aos profetas, tão pouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite algum dos mortos. (Lucas, XVI: 19-31).

Fiorella Romana  07-12-2009

 

   

                

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